Homenagem no "Tudo é Percussão 2"
Saiba como foi: http://www.tudoepercussao2009.tk/
Veja algumas fotos:
Exposição "Chocalhos do Mundo"

Em homenagem ao Mês do Folclore, A Casa da Coleção Emília Biancardi abre suas portas mostrando mais uma vez a cultura popular através de instrumentos musicais tradicionais.
Quem visita a exposição terá a oportunidade de conhecer chocalhos existentes nos cinco continentes e outros recriados em trabalhos musicais executados na Coleção Emília Biancardi.
Em cartaz todo o mês de agosto de 2009.

Quem visita esta mostra, tem a rara oportunidade de apreciar instrumentos musicais primitivos, adquiridos pela professora Emília Biancardi entre outros criados por ela durante seus 40 anos de estudos e pesquisas em etnomusicologia. Dentre as peças expostas, merecem destaque as flautas sagradas da tribo indígena do Xingu e o cavaquinho feito com pinicos, tornando-se uma das inusitadas criações de Emília Biancardi.
An exhibit of Musical Instruments from Emília Biancardi’s Collection
Visitors will have a rare opportunity to see primitive musical instruments acquired by Emília Biancardi, and others crated by her, during her forty years of study and research in ethnomusicology. Among the pieces on display, several deserve special mention such as the sacred flutes from the Xingu tribe, and the pinicol, an instrument made from kiddy potties, one of the unusual creations by Emília Biancardi.
O Projeto Implementação da Coleção de Instrumentos Tradicionais "Emília Biancardi" visa realizar um conjunto de ações (exposições temáticas, oficinas, performances, palestras, atividades dirigidas, apresentações musicais e um encontro sobre música atual e tradicional da capoeira) focadas nos Instrumentos Musicais Tradicionais, tomando como base a Coleção de Instrumentos de Emília Biancardi, e assim, Realizar um programa de difusão e treinamento de iniciação musical da cultura popular e de aproximação de instrumentos musicais tradicionais para jovens e pessoas das comunidades vinculadas a associações e instituições das cidades envolvidas com o projeto.
Agregada à Coleção de Instrumentos, há também uma coletânea de Referências Musicais - material resultante de mais de 40 anos de pesquisa da referida etnomusicóloga - disponibilizada para consulta através de livros, fotografias, vinis, CD, vídeos e arquivos digitalizados. O projeto - que conta com o apoio institucional do Fundo de Cultura do Estado da Bahia e do IPAC - visa concretizar o propósito de contribuir para democratizar o acesso aos bens culturais em Salvador e no interior da Bahia.

· difundir a cultura popular tradicional e fomentar o estudo e a pesquisa das nossas raízes musicais, em Salvador e no interior do Estado da Bahia;
· criar oportunidade de desenvolvimento de habilidades e potencial artístico dos participantes pela iniciação musical;
· Estimular o gosto e o estudo da cultura popular, usando como elemento motivador os instrumentos musicais tradicionais;
· estimular a opinião dos alunos sobre a ancestralidade musical, apoiando a preservação das tradições culturais;
· desenvolver atividades artísticas entre estudantes e pessoas da comunidade, promovendo a cultura e a arte, despertando neles o interesse pela preservação do bem comum e a arte como atividade profissional;
· assegurar a manutenção e implementação da Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi.
Etnomusicóloga de renome internacional por suas pesquisas sobre a cultura afro-brasileira nestes seus mais de 40 anos de atividade – publicou 6 (seis) livros de pesquisa que se tornaram referência em suas áreas sendo os de maior repercussão o "Raízes Musicais da Bahia", já em sua 2ª edição, e "O-le-lê Maculelê", em vias da 2ª edição; editou 4 (quatro) produções fonográficas, sendo 3 (três) na Bahia e 1 (uma) nos Estados Unidos.
Em 1962, Emília Biancardi criou e dirigiu, o 'Viva Bahia', no Instituto Normal Isaías Alves - atual Colégio ICEIA - o primeiro grupo parafolclórico* da Bahia que, mais tarde, transformou-se no 'Grupo Viva Bahia', que divulgou a cultura baiana no Brasil e no mundo e serviu de inspiração para outros importantes trabalhos na área.
Em 1968, Emília fundou no Colégio Estadual Severino Vieira, a "Orquestra Afro-Brasileira", onde os cerca de 150 alunos participantes, com idades entre 12 e 18 anos, geravam música de instrumentos criados a partir de talhas, bacias, chifres e ossos, muitos deles idealizados pela própria etnomusicóloga. O sucesso foi tamanho que chamou a atenção da imprensa nacional e levou a "Orquestra Afro-Brasileira" a fazer muitas apresentações em teatro e televisão até 1982, quando Biancardi passou a residir e atuar parte nos Estados Unidos e parte na Bahia.

Instrumentos afro-brasileiros – para o acompanhamento rítmico – calimbas, berimbau de bacia, berimbau de lata, atabaques, agogôs de duas bocas, potes percutidos com abanos, alguidás de barro (cujas cabaças depositadas em seu interior, são tocadas com varinhas).
Instrumentos Indígenas – com destaque especial para o trocano, o tapadé, bastões de ritmo, flautas e maracas.
Instrumentos rurais – trazidos pelos portugueses como enxadas, tampas de panela, frigideiras, queixadas de boi, bacias, ralos e diversas peneiras usadas nas Casas de Farinha;
A exposição dos Instrumentos Musicais Tradicionais Coleção Emília Biancardi já percorreu vários locais. Dentre eles, o Caribean Cultural Center - Nova York, EUA. Na Bahia, a exposição já passou pela Galeria Solar do Ferrão – Pelourinho; FALA – Feira das Artes da América Latina – IV Mercado Cultural Latino Americano – Casa Via Magia, Salvador; Espaço Xisto Bahia, Salvador; Biblioteca Pública do Estado da Bahia, Salvador; Foyer do Teatro Castro Alves, Salvador; Galeria do Conselho Estadual da Cultura da Bahia, Salvador; Fundação Hansen Bahia – Cachoeira.

O Som Tradicional do Mundo
Essa exposição tem na sua ideologia divulgar, educar e estimular o aprendizado dos visitantes sobre os instrumentos tradicionais que, oriundos dos instrumentos primitivos, serviram de inspiração e base para a criação dos instrumentos sofisticados das orquestras sinfônicas e dos instrumentos modernos, tocados na música popular mundial.
Exposições Temporárias:
Máscaras que Tocam
Máscaras fazem parte do imaginário humano desde que os homens começaram a realizar cerimônias para Mãe Terra, seus deuses e depois para bacanais, sendo o seu ponto auge nos carnavais de Veneza, na Comédia D'larte.
O que diferencia essas máscaras das conhecidas é que geralmente nas outras, homens mascarados tocam instrumentos musicais. Nessas nossas, homens tocam as máscaras visto que, todas possuem sonoridade própria.
Percussivos da Consciência Negra
A Diáspora africana fez com que os africanos e seus descendentes reproduzissem nos países aonde aportaram, vários dos seus instrumentos musicais, em especial os membranófonos e os idiófonos.
Os lugares desta diáspora afro onde esses percussivos mais sobressaíram foram: Brasil, Cuba, Haiti, Martinica, Jamaica e Trinidad Tobago.
É a maior exposição de instrumentos musicais de índios do Brasil, desde os índios do Litoral ao Brasil Central.
A mostragem é uma projeção da criatividade do índio em relação à sua música. Destaca-se entre os instrumentos expostos a Flauta Jacuí, tocada em determinadas cerimônias na região do Xingu na época em que as comunidades indígenas realizam o Quarup (cerimônia feita para os mortos).
As Flautas Uruá, também da região Xinguana, cuja finalidade é exorcizar com seu som as ocas indígenas para determinadas cerimônias específicas. Tem também o Trocano, tambor escavado em tora de árvores, além de vários outros, como: buzinas, bastões de ritmo, maracás, máscaras sonoras, entre outros.
Celebrando Instrumentos Musicais do Oriente
Muitos são os instrumentos do Oriente que são tocados tal qual eram pelos seus ancestrais. Com conotações matemáticas, refletem a preocupação pelo cerimonial e correção moral.
Um dos principais instrumentos da China é o Sheng, da família dos instrumentos de sopro. Da Índia, os principais são Sitar e Tabla, pequenos tambores feitos de metal com coro estendendo na parte superior. A música japonesa tem sua origem na chinesa, sendo que o principal instrumento de corda, o Koto. A da Indonésia além dos Congos em metal, possuem xilofones em bambu e flautas feitas em madeira. E a árabe possui uma variada gama instrumental como o Rabab (corda) a Zurma (sopro).
A Exposição cênica sonora coreográfica procura apresentar cenicamente alguns dos instrumentos musicais tradicionais que compõem a coleção Emília Biancardi , isto através das crianças e adolescentes que participam das aulas-ensaio do projeto. Junto a esses, outros instrumentos recriados inspirados nos originais que pesquisamos e reproduzimos para nossos trabalhos são tocados nessa apresentação.
Já o Circuito interior objetiva a realização da exposição temporária "Máscaras que Tocam", uma oficina de iniciação musical, um evento e um ensaio público, em três cidades do interior da Bahia: Santo Amaro, Feira de Santana e Itabuna.
* II Encontro da Música Atual e Tradicional da Capoeira / II Festival de Ladainha, Corrido e Quadra ou Chula;
* Mês da Cultura - Homenagem ao Maior Dançarino de Alujá de Xangô da Bahia: Luis Fernando "Formigão";
* Dia Nacional da Consciência Negra;
* Mercado das Iabás;
* Pandeirinhos e Pandeirolas na Marcha de Presépio;
* Ver e Aprender - Sons Tradicionais do Mundo da Coleção Emilia Biancardi;
* Homenagem aos Povos Indígenas.
Convite

Data: 7 e 8 de novembro de 2008
Hora: dia 7 (sexta-feira) às 18h / dia 8 (sábado) às 16h
Local: Largo Tereza Batista – Pelourinho
Maiores informações:
(71) 3266-6092 / 3489-5451 / 8732-2476 / 8103-4831
colecaoemiliabiancardi@gmail.com
Tributo aos Mestres Pastinha e Bimba

Mestre Pastinha (1889-1981 )
Conta-se que o princípio de sua vida na roda de capoeiragem aconteceu quando tinha 8 anos, que fez de tudo um pouco, trabalhou como pedreiro, pintor, entregava jornais, tornou conta de casa de jogo; no entanto, o que mais gostava de fazer era ensinar "a grande arte". Pastinha conhecia a capoeira, sabia como era importante continuar aquela cultura, aconselhava que era preciso ter calma no jogo "quando mais calma melhor pró capoeirista", e que a capoeira "ela é o pai e mãe de todas as lutas do Brasil". Sabia muito bem os fundamentos e os segredos existentes na capoeiragem, cantava, tocava os instrumentos e ensinava como um verdadeiro mestre deve fazer.Pastinha foi nas rodas de capoeira um autêntico mestre, um bamba na luta.
Era uma pessoa do mundo ideal, camarada amigo, pai e irmão dos discípulos. Viveu intensamente seus longos anos dedicados à capoeira de Angola, classificou-se na história da malandragem, da malícia, como ás. Manteve em sua academia de Angola, a originalidade da eficiência da luta em momento algum fora perdido na academia de Pastinha. Ele contribuiu categoricamente com o seu talento e dedicação à capoeira para que a sociedade baiana e brasileira percebessem a capoeiragem como uma luta-arte imbatível, guerreira, que está além dos paupérrimos preconceitos que há na sociedade.Vicente Pastinha foi filmado, fotografado, entrevistado, gravou disco e deixou um livro, a capoeira nunca mais poderá esquecer este ás, o guardião da capoeira Angola. Foi lá na casa 19, no largo do Pelourinho que funcionava a sua academia, o Centro Esportivo de Capoeira Angola fundada em 1941. Milhares de pessoas estiveram na academia, ficavam impressionadas com as cantorias, com o som dos berimbaus, pandeiros e agogôs e principalmente, com os jogos que lá rolavam.
Fonte: http://www.portalcapoeira.com/Mestres/Mestre-Pastinha
Foto: acervo de Mestre Gildo Alfinete

Mestre Bimba (1899/1900-1974)
Sua iniciação se deu na Estrada das Boiadas, hoje bairro da Liberdade, em Salvador no estilo Capoeira Angola. Mestre Bimba ensinou por mais de dez anos. Em 1932, fundou a primeira academia especializada em Capoeira num tempo onde ainda era prohibida e repreimida. No Engenho Velho de Brotas, bairro em que nasceu, já havia desenvolvido seu próprio método. Em 1937 a sua academia foi registrada como, Centro de Cultura Física Regional e em 1939 ensinava a "Regional" no quartel do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exécito. Os métodos militares influenciaram bastante na Capoeira Regional. Os exercicios físicos, a disciplina rígida e as emboscadas na mata presentes no seu curso eram práticas tipicamente militares. Inaugurou sua segunda academia em 1942, no Terreiro de Jesus. Por sua eficiênçia, seu método foi considerado o mais prático e perfeito, por isso ultrapassou fronteiras e ficou conhecido mundialmente. Muitas personalidades da vida política e social da Bahia foram alunas de mestre Bimba.Com o intuito de divulgar a Capoeira Regional, Bimba e seus alunos começaram a realizar inúmeras apresentações pelo Brasil. Muitas personalidades da vida política e social da Bahia foram seus alunos ganhando respeito e admiração das autoridades e abrindo caminho para uma demonstração para o então Presidente da República, Getúlio Vargas. Esta apresentação foi fundamental para a evolução da Cultura africana em noso pais. Getúlio legalizou a Capoeira, reconheceu-la como a luta nacional brasileira e, posteriormente, oficializou sua prática através do Ministério da Educação. Mestre Bimba se apresentou pela ultima vez na Bahia, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA. Em 1973, Bimba despediu-se de Salvador e foi morar em Goiânia onde permaneceu até a morte.

Categorias concorrentes:
Ladainha / Corrido / Quadra ou Chula
Valor da premiação para cada categoria:
R$ 600,00 (seiscentos reais)
Encerramento das inscrições:
PRAZO PRORROGADO ATÉ 04 DE NOVEMBRO.
Prazo máximo também para postagem via SEDEX.
Critérios para seleção:
* Ladainha – de acordo com as formas tradicionais dos mestres da Capoeira Angola, Pastinha, Valdemar, Traíra, dentre outros.
* Corrido – Dentro dos padrões poéticos e melódicos dos corridos dos Mestres Pastinha e Bimba e outros mestres dos anos 60.
* Quadra ou Chula - assim chamado na Regional pelo mestre Bimba.
Regulamento:
Todas as músicas terão que ser inéditas / não ter sido gravada;
Cada participante só poderá inscrever 01 música por estilo.
Documentação para inscrição:
1. Ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada (disponível para download ou já impressa nos locais de inscrição abaixo citados);
3. 04 cópias da letra impressa.
Clique aqui.Casa dos Instrumentos da Coleção Emília Biancardi
Rua Gregório de Mattos, 31
Centro Histórico
Projeto Mandinga
Instituto Jair Moura
Rua Comendador José Alves Ferreira, 170
Garcia
Maiores informações:
Realização:
Instrumentos Musicais Tradicionais Coleção Emília Biancardi e Instituto Jair Moura.
Programação Cultural - 2008

Exposição Temática – O Som Tradicional do Mundo
Local: Instrumentos Musicais Tradicionais da Coleção Emília Biancardi
Período: Todo o mês
Horário: 09h às 12h / 13h às 17h
Aberto ao público
Outubro
Exposição Temática – O Som Tradicional do Mundo
Local: Casa dos Instrumentos Musicais Tradicionais da Coleção Emília Biancardi
Período: Todo o mês
Horário: 09h às 12h / 13h às 17h
Aberto ao público
Seminário - II Encontro de debates da Música atual e tradicional da Capoeira
Dia: 05 de outubro
Local: Instituto Jair Moura
Rua Comendador José Alves, 170 - Garcia
Hora: 19h
Aula aberta: Ver e Aprender – Sons dos instrumentos tradicionais da Coleção Emília Biancardi
Dia: 10 de outubro – sexta-feira
Local: Casa dos Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi
Hora: 20h
Para alunos das Escolas públicas
Novembro
Prêmio: Tributo aos Mestres Pastinha e Bimba
Seleção final do festival:
07 de novembro – sexta-feira, 18h
Praça Tereza Batista - Pelourinho
08 de novembro – sábado, 16h
Praça Tereza Batista - Pelourinho
Espetáculo: Berimbalada – mostragem cênica da Coleção Emília Biancardi
Aberto ao público
Exposição Temática - Percussivos da Consciência Negra
Abertura: 10 de novembro
Local: Casa dos Instrumentos Musicais Tradicionais da Coleção Emília Biancardi
Horário: 09h
Exposição Temática – Máscaras que Tocam
Abertura: 03 de Novembro
Local: Teatro Miguel Santana – Pelourinho
Hora: 16h
Palestra – Máscaras dos Gueledés
Palestrante: Antonio Luis Figueiredo
Dia: 04 de novembro
Local: Teatro Miguel Santana
Horário: 16h
Público destinado: Integrantes do Balé Folclórico da Bahia, alunos das Escolas Municipais e Estaduais e interessados
Parceria: Instrumentos Musicais Tradicionais Coleção Emília Biancardi e Fundação Balé Folclórico da Bahia.
Palestra: Eu e o Gantois
Palestrante: Mônica Millet
Dia: 11 de novembro
Local: Teatro Miguel Santana
Hora: 16h
Dezembro
Exposição Temática – Celebrando Instrumentos Musicais do Oriente
Abertura: 1º de dezembro
Período: Todo o mês
Local: Casa dos Instrumentos Musicais Tradicionais Coleção Emília Biancardi.
Horário: 09h às 12h / 13h às 17h
Aberto ao público
Evento itinerante - Pandeirinhos e Pandeirolas na marcha do Presépio - encerramento das atividades dos alunos da Coleção Emília Biancardi e dos Miúdos da Ladeira do Teatro XVIII.
Facilitadores: Carlos Alberto, Daniela Machado – Coleção Emília Biancardi
Profªs: Rita e Mabel Veloso – Teatro XVIII
Parceria: Instrumentos Musicais Tradicionais Coleção Emília Biancardi e Teatro XVII.
Instrumentos Musicais Tradicionais

Essa coletânea, de valor histórico-cultural inestimável começou a ser formada quando de uma pesquisa realizada no interior da Bahia a partir de um maracá, recebido como presente de uma pessoa amiga. Depois, as peças foram sendo adquiridas, muitas com esforço e sacrifício pessoal da Professora e outras tantas presenteadas a ela por seus amigos. Hoje, o acervo compreende mais de 1000 instrumentos – sejam oriundos dos cinco Continentes de mais diversos países, sejam criados ou recriados por Emília Biancardi a partir de suas pesquisas para seus projetos e espetáculos.
A Coleção engloba instrumentos de categorias diversas, incluindo os de cunho cerimonial, destacando-se relíquias musicais de índios brasileiros a exemplo dos instrumentos das tribos Camaiurais e Calapalos, do Xingu, e Carajás - da Ilha do Bananal.
Com todo esse material em mãos, com sua visão de etnomusicóloga, folclorista e professora, Emília Biancardi, decidiu montar exposições proporcionando compartilhar essa riqueza com outras pessoas interessadas pelo tema.
Esses eventos são verdadeiras atividades didáticas. A exposição dos instrumentos é utilizada para despertar o interesse pela cultura popular tradicional e pelo folclore incluindo em sua programação, na maioria das vezes, demonstração de alguns instrumentos expostos, palestras e debates relativos ao tema escolhido.As primeiras mostras aconteceram nos Estados Unidos - no Caribe Cultural Center e no Lincoln Center em New York, na Fundação Cultural de Woodstock Time, e em várias Escolas e Universidades americanas.
Na Bahia a Coleção já participou de eventos e exposições em diversos locais sendo, inclusive, motivo para um projeto didático-pedagógico que objetivava a dinamização de Bibliotecas Públicas, desenvolvido em parceria com a Fundação Pedro Calmon.
A Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais “Emilia Biancardi” participou, em 2005, do Mercado Cultural conceituado evento realizado anualmente em Salvador/Bahia.
Atualmente encontra-se aberta à visitação pública na Rua Gregório de Mattos, 31, Pelourinho em Salvador-BA, com visitação aberta ao público das 09h às 12h e das 13h às 17h.
Trajetória

Nascida em Salvador, Bahia, viveu sua infância e parte da adolescência em Vitória da Conquista, interior do Estado, o que lhe proporcionou os primeiros contatos com as manifestações populares que, desde então, a fascinavam.
Em 1962 criou o grupo "VIVA BAHIA", o primeiro e mais importante grupo parafolclórico do Brasil, na época. Levando para os palcos do mundo inteiro a materialização de incansável pesquisa do repertório musical afro-baiano.
Perfeccionista ao extremo, a professora Emília Biancardi sempre procurou expressar nos seus espetáculos o que de mais genuíno existia na cultura baiana. Para a formação dos seus alunos, reuniu os melhores representantes das manifestações culturais de Salvador e do Recôncavo Baiano. Entre os professores estavam Mestre Pastinha e João Grande (capoeira), Mestre Popó do Maculelê (foi com o grupo "VIVA BAHIA" que pela primeira vez o Maculelê foi apresentado para o grande público e divulgado no exterior), Neuza Saad (dança), D. Coleta de Omolu (dança do Candomblé), Sr. Negão de Doni (toques do Candomblé) e Mestre Canapun (puxada de rede). Muitos outros mestres de capoeira passaram pelo grupo, como Bom Cabrito, Alabama, Cabeludo, Saci, Antonio Diabo, Manuel Pé de Bode, Coice de Mula, Amém, Jelon, Loremil, Nô, Camisa Roxa e Boca Rica, entre outros. Consagrado internacionalmente, serviu de inspiração e incentivo para a formação de outros grupos de prestígio no Brasil e exterior, inclusive para o Balé Folclórico da Bahia, cujo criador, Walsson Botelho, foi integrante do grupo e discípulo da professora Emília Biancardi.
O "VIVA BAHIA" foi um dos principais responsáveis pela internacionalização da capoeira. Muitos mestres que viajaram com o grupo não retornaram das viagens. Amém ficou na Califórnia, Jelon e Loremil introduziram a capoeira em Nova York, nos anos 1970.
As viagens incluíam toda a América do Sul, Europa, EUA, Oriente Médio e África. As apresentações no exterior integraram promoções culturais realizadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da Bahiatursa, além de turnês organizadas por empresários, com exibições em teatros e festivais diversos.
A grandiosidade e excelência do trabalho realizado pelo grupo foi reconhecida pelo escritor baiano Jorge Amado, que afirmou o seguinte:
"O Conjunto 'VIVA BAHIA' é uma realização vitoriosa e digna de todo apoio em seu trabalho de divulgação do folclore brasileiro (...) Seus espetáculos e seus três LPs dão uma visão realmente admirável da beleza do folclore baiano".
Como professora do Colégio Estadual Severino Vieira, Biancardi idealizou, em 1968, a Orquestra Afro-Brasileira, usando instrumentos tradicionais, e outros criados e confeccionados por ela e pelos alunos. Criou e dirigiu por 10 anos a Fundação Yabás Arte Brasil em Woodstock-Nova Iorque, EUA. Compõe músicas para balés e peças de teatro, aplicando os conhecimentos adquiridos através de pesquisas da música folclórica rural e urbana. Tem seis livros publicados ("Lindro Amo", 1968; "Cantorias da Bahia", 1969; "Viva Bahia Canta", 1970; "Dança da Peiga", 1983; "Olelê Maculelê", 1990 e "Raízes Musicais da Bahia", 2001), além de textos sobre a música tradicional publicados em livros e revistas no Brasil e exterior. Lançou três LPs pela Philips do Brasil ("Viva Bahia nº. 1", "Viva Bahia nº. 2" e "Folclore Rural") e um Cd pelo Club House Studio Germantown, Nova Iorque, EUA.








